Colosso
Posted in Sem categoria on 26 de Maio de 2012 by DulceA raiva dos justos é abafada pela dos virtuosos. Estes, curiosamente, indignam-se com o facto de cenas tão bárbaras e inumanas poderem ser mostradas a pessoas tão bem-educadas, tão respeitadoras da lei e amantes da paz como eles se imaginam a si mesmos. Querem ser protegidos da angústia de suportar semelhante cena, mesmo à distância confortável de cinco ou seis mil quilómetros. Pagam para assistir a um drama de amor, em cadeiras confortáveis, e por um monstruoso e completamente inexplicável “faux pas” aquele pedaço horrível da realidade fora-lhes atirado para a frente dos olhos e quase lhes estraga o serão, que corre de forma tão pacífica e despreocupada. Assim é a Europa antes do presente colapso. Assim é ainda a América. E assim será amanhã quando se tiver dissipado o fumo. E, enquanto os seres humanos conseguirem assistir de braços cruzados à tortura e à chacina dos seus semelhantes, a civilização será uma farsa sem sentido, um fantasma verboso suspenso como uma miragem sobre um mar revoltoso de carcaças assassinadas.
Colosso…Grécia
Posted in Sem categoria on 26 de Maio de 2012 by DulceEnquanto não aprender a comportar-se como elemento da Terra, o homem continuará a criar deuses que o destruirão. A tragédia da Grécia está não só na destruição de uma grande cultura, mas também no desaparecimento de uma visão grandiosa. Dizemos erradamente que os gregos humanizaram os deuses. É precisamente o contrário. Foram os deuses que humanizaram os gregos. Houve um momento em que se teve a sensação de apreender o verdadeiro significado da vida, um momento de expectativa em que pareceu estar em jogo o destino de toda a raça humana. O momento perdeu-se no deslumbramento do poder que ofuscou os gregos com toda a sua ebriedade. Fizeram mitologia a partir de uma realidade que ultrapassava em muito a compreensão humana.
Esquecemo-nos, no nosso encantamento com o mito, que o mesmo nasceu da realidade e que, na sua essência, não é diferente de qualquer outra forma de criação, a não ser pelo facto de estar relacionado com o próprio âmago da vida. Todos nós criamos mitos não há lugar para deuses. Estamos a construir um mundo abstracto e desumanizado com as cinzas de um materialismo ilusório. Estamos a provar a nós mesmos que o universo é vazio, uma tarefa justificada pela vacuidade da nossa lógica.
Estamos decididos a conquistar e assim faremos…mas a conquista é uma morte.

